O Rolo Compressor do Jornalismo: Retratos de uma Profissão em Esforço
Palavras-chave:
jornalismo, esforço emocional, precariedade, violência, assédio, entrevistasSinopse
O jornalismo tem-se confrontado com inúmeros desafios e transformações nas últimas décadas, não só pela evolução tecnológica e digital, mas também pelos constrangimentos estruturais no negócio dos média, que se carateriza, atualmente, pela crescente concentração da propriedade e por um visível colapso dos modelos de negócio. A degradação das condições de trabalho, a precariedade e a violência contra os jornalistas podem contribuir para o esforço emocional, tendo impacto na sua saúde física e mental, no bem-estar e qualidade de vida, mas também na qualidade do próprio jornalismo. Embora muitas destas dimensões decorram de problemas estruturais da indústria dos média, como o declínio de vendas e da receita publicitária, há aspetos contextuais que contribuem para um agravamento. A pandemia de COVID-19 foi um desses momentos, e vários inquéritos aos jornalistas deixavam, já, antever uma crescente deterioração das condições em que o jornalismo estava a ser exercido (Araújo et al., 2023; Camponez et al., 2020). No entanto, não existiam, ainda, dados que nos permitissem compreender o esforço emocional dos jornalistas e a sua relação com as dimensões aqui enunciadas. Este estudo teve como objetivo perceber as perceções dos jornalistas portugueses relativamente ao esforço emocional na prática diária, as suas causas, consequências, e a existência de estratégias de suporte. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 50 jornalistas provenientes de vários tipos de meios de comunicação.
Os resultados dão conta de uma realidade preocupante, e que nos deve fazer refletir enquanto sociedade. Jornalistas precários não são jornalistas livres, tal como não o são os jornalistas que temem pela sua segurança.
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Referências
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