Inversão e Alteridade na Bugiada e Mouriscada: A Festa Como Pedagogia
Sinopse
A festa não existe apenas num espaço e num tempo concretos, como faz dessas categorias elementos essenciais para a sua afirmação como recurso utilizado pelas comunidades nos processos sociais que as constroem. Por outro lado, considerando as dinâmicas contemporâneas, a festa encontra nos processos de turistificação e patrimonialização vetores substantivos da sua configuração como produto com valor de mercado. O valor simbólico do reconhecimento decorrente da patrimonialização pode materializar-se nos proventos que o turismo gera, mas a contrapartida, frequentemente indesejada, é o esbatimento do sentido comunitário da festa. Estas ideias genéricas, que se ajustam de forma diferente a cada festa concreta, encontram uma expressão singular no caso da Bugiada e Mouriscada de Sobrado: percebe-se a vontade de património, mas o que mais imediatamente se observa, e se sobrepõe a essa vontade, é o forte sentido comunitário que a festa mantém. Neste texto argumentaremos que embora essa festa se estruture na base de uma antinomia explícita (mouros versus cristãos), o seu sentido mais profundo é intracomunitário, assentando numa relação tensa e simultaneamente complementar entre uma geração que emerge (jovens/mouriscada) e uma outra que lhe cede o passo (seniores/cristãos).
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