Riscos Naturais em Portugal

Autores

António Bento-Gonçalves
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal
https://orcid.org/0000-0002-9646-156X (não autenticado)

Sinopse

Portugal sempre esteve e sempre estará sujeito a eventos naturais extremos, potencialmente causadores de vítimas e de elevados prejuízos ambientais, económicos e sociais. Com efeito, “as características naturais, particularmente a sua posição no quadro geológico global e regional, as condições climáticas mediterrânicas, as condições geomorfológicas e de cobertura vegetal, de acordo com o modo como ao longo dos séculos se processou a ação humana na construção do território, ditam, para Portugal, um conjunto significativo de riscos naturais” (Cunha & Ramos, 2013, p. 23), a que se junta um vasto conjunto de riscos de origem não natural. Nos séculos XX e XXI, destacam-se três riscos, cujas manifestações se têm revestido de maior dramatismo, sendo eles as inundações, as tempestades e os incêndios florestais, verificando-se ainda que as duas décadas que mais catástrofes registaram foram as mais recentes, as de 2001–2010 e 2011–2020. No atual contexto de mudanças climáticas, associadas às mudanças globais, prevê-se que os eventos extremos (mega incêndios, secas extremas, inundações catastróficas, etc.) se tornem, gradualmente, na nova “normalidade”, agravando em geral a sua frequência, intensidade e capacidade destruidora, não estando os sistemas atuais de proteção civil preparados para enfrentar esta nova realidade. Neste contexto, o presente texto visa, de forma sumária, elencar, cronologicamente, os eventos mais conhecidos e mais dramáticos, quer pelo número de vítimas, quer pelos elevados prejuízos causados, que ocorreram em território nacional, nos séculos XIX, XX e XXI.

Biografia do Autor

António Bento-Gonçalves, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal

António Bento-Gonçalves é licenciado em geografia e mestre em geografia física, pela Universidade de Coimbra, e doutorado em geografia física e estudos ambientais, pela Universidade do Minho, onde é professor associado no Departamento de Geografia do Instituto de Ciências Socias. É investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, igualmente da Universidade do Minho, tendo sido membro e coordenador do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território — Universidade do Minho e membro da comissão diretiva do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território, entre 2013 e 2016. Foi vice-presidente da RISCOS — Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, de 2010 a 2015, e foi, entre 2020 e 2022, presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos, depois de ter sido membro da direção entre 2016 e 2020. A sua atividade científica tem-se focado nos incêndios florestais, na erosão e degradação dos solos, nos riscos naturais e na proteção civil, tendo participado, como coordenador e membro da equipa de investigação, em vários projetos científicos nacionais e internacionais, sendo autor e coautor de mais de duas centenas de títulos publicados em Portugal e no estrangeiro. Ajudou a criar a licenciatura de proteção civil e gestão do território na Universidade do Minho e o mestrado em gestão de riscos ambientais na Universidade Pedagógica de Maputo (Moçambique). Neste momento, António Bento-Gonçalves é diretor do Departamento de Geografia da Universidade do Minho, tendo sido diretor da licenciatura em proteção civil e gestão do território, também na Universidade do Minho, entre 2018 e 2021, diretor do doutoramento em geografia e diretor da licenciatura em geografia e planeamento, na mesma universidade.

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31 julho 2023

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