Nem Todos Imigram Porque Querem: Como os Média Noticiam as Migrações Climáticas

Autores

Alice Balbé
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Laboratório de Comunicação Climática, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil
https://orcid.org/0000-0002-9584-1966 (não autenticado)

Sinopse

Este artigo discute como as migrações climáticas são noticiadas a partir da análise de notícias em língua portuguesa. Nos últimos 50 anos, estima-se que o número de desastres tenha aumentado cerca de cinco vezes em decorrência das alterações climáticas. Os casos de desastres são os que têm maior potencial noticioso e em que o jornalismo pode desempenhar múltiplas funções (Amaral, 2019), mas o foco tende a recair sobre a tragédia em si, o aspeto factual, as vítimas e os números de perdas económicas, por exemplo. Estima-se que em 2050, 250 milhões de pessoas sejam severamente afetadas pelas alterações climáticas. Ainda que não haja uma definição formal de refugiados climáticos no direito internacional, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tem destacado que a crise climática é uma crise humana e chama a atenção para os impactos que tem no deslocamento forçado em todo o mundo. Os resultados indicam que é justamente a partir de relatórios internacionais e casos de desastre climático que as migrações climáticas são noticiadas, desde deslocações internas até externas ao país, bem como o agravamento da situação humanitária de populações já expostas a conflitos. Mas a voz dos migrantes e a discussão sobre as causas têm pouco espaço nos média.

Biografia do Autor

Alice Balbé, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Laboratório de Comunicação Climática, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil

Alice Balbé é doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, com a tese Representação das Alterações Climáticas nas Redes Sociais Facebook e Twitter (2018), é mestre em Ciências da Comunicação, com especialização em Informação e Jornalismo, pela Universidade do Minho, e jornalista pela Universidade Franciscana. É investigadora no Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, onde colabora com diferentes projetos sobre temas como género, racismo, representações sociais, ambiente, clima, redes sociais e a cobertura mediática. Também integra o Laboratório de Comunicação Climática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil.

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15 abril 2026

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