Sustentabilidade Alimentar: Do Futuro Incerto à Resposta Certa

Autores

Cynthia Luderer
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal
https://orcid.org/0000-0001-5149-669X (não autenticado)
Virgínia Henriques Calado
Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
https://orcid.org/0000-0002-5292-2440 (não autenticado)

Sinopse

Neste texto focámo-nos na noção de alimentação sustentável, tal como vem sendo divulgada em textos de referência nesta matéria. Desse modo, explorámos documentos emanados da Comissão Europeia, como a Estratégia do Prato ao Prado ou o Pacto Ecológico Europeu, para refletir, criticamente, sobre o modo como esta noção pode ser articulada com questões de coesão territorial. Partindo do sistema de ajudas financeiras diretas dadas a agricultores e grupos agrícolas na União Europeia, analisámos a discrepância na atribuição de recursos em função da área agrícola explorada. A constatação dessa condição, permitiu-nos equacionar o quanto a disparidade no sector — intrinsecamente ligado à alimentação — poderá contribuir para uma diminuição da coesão territorial e uma menor sustentabilidade do ponto de vista social. Na sequência desse exercício, identificámos as características da alimentação sustentável a partir da Agenda 2030 (Organização das Nações Unidas, 2015), bem como dos documentos a que fizemos referência, sem esquecer a enunciação de alguns dos paradoxos contidos neste tipo de dispositivos. Tendo por base essa caracterização, centrámo-nos, por fim, no modo como, em diferentes territórios (Montemor-o-Novo e Mértola), a sustentabilidade alimentar é adotada como pilar de enfrentamento das alterações climáticas e da coesão territorial e social.

Biografias do Autor

Cynthia Luderer, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal

Cynthia Luderer é investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Doutora em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com estágio em antropologia da alimentação na Universitat Rovira i Virgili (Catalunha). É membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Consumo e Memória, da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, do projeto DIAITA – Património Alimentar da Lusofonia, da Universidade de Coimbra, e do Grupo de Investigadores de Comunicação, Ciência e Ambiente, da Universidade do Minho. Suas graduações em história, pedagogia e gastronomia, assim como a especialidade em gestão em qualidade, contribuem para o desenvolvimento das dezenas de trabalhos publicados. Dentre os distintos aspetos da cultura expressos em suas publicações, destacam-se os repertórios vinculados aos meios de comunicação, destacando-se, nesse contexto, o exercício do consumo da alimentação e os diferenciados repertórios dessa prática, a qual envolve os princípios da memória e da sustentabilidade.

Virgínia Henriques Calado, Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal

Virgínia Henriques Calado é investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde integra o grupo de investigação Identidades, Culturas, Vulnerabilidades. Licenciou-se em antropologia social no Instituto Universitário de Lisboa e doutorou-se em ciências sociais, especialidade de antropologia social e cultural, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (2012). A sua principal área de investigação situa-se no campo da antropologia da alimentação, onde tem trabalhado sobre formas de alimentação menos convencionais, como a macrobiótica, sobre (in)segurança alimentar, conselhos alimentares locais ou a relocalização dos sistemas alimentares. Os seus interesses de pesquisa incluem ainda temáticas como a construção social do espaço, vacinação, cidadania, participação pública e análise de discursos políticos. Os seus terrenos de investigação têm-se situado em Portugal e Moçambique. Participou em diversos projetos de investigação e é, atualmente, membro da equipa do projeto Eating Matters: Challenges of an Inclusive, Healthy and Sustainable Food for Better Ageing (Universitat Rovira i Virgili – Espanha).

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31 julho 2023

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