Políticas da Língua no Contexto da Política Científica em Portugal

Authors

Anabela Gradim
LabCom, Faculdade de Artes e Letras, Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal
https://orcid.org/0000-0001-6968-1957 (unauthenticated)

Synopsis

Este texto discute as políticas da língua e o multilinguismo na ciência à luz da recente hegemonia do inglês como língua de publicação, refletindo sobre o potencial do português como língua de ciência, pesquisa e comunicação científica. Sendo hoje o português e o espanhol, que cresceram em contraciclo, o segundo maior idioma de publicação na Web of Science, é fundamental pensar a língua em e da ciência, tanto mais que multilinguismo é a política oficial da União Europeia, embora na maioria dos países europeus ainda se estimule e valorize a publicação em inglês. A relevância de uma ciência plurilíngue é ressaltada pela sua importância para a construção lexical, o pensamento, a expressão cultural e a diversidade epistemológica. Reconhecer o devido valor ao inglês como língua franca não é incompatível com a defesa de uma ciência plurilíngue, pois nada impede a sua coexistência com políticas científicas que protejam a diversidade linguística. A ascensão do inglês como língua franca da ciência é recente e foi reforçada após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a manutenção da diversidade linguística na ciência é fundamental para a preservação da cultura e da identidade dos falantes dessa língua, bem como para uma visão mais ampla e diversa da produção científica.

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June 20, 2023

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