Nem Todos Imigram Porque Querem: Como os Média Noticiam as Migrações Climáticas
Synopsis
Este artigo discute como as migrações climáticas são noticiadas a partir da análise de notícias em língua portuguesa. Nos últimos 50 anos, estima-se que o número de desastres tenha aumentado cerca de cinco vezes em decorrência das alterações climáticas. Os casos de desastres são os que têm maior potencial noticioso e em que o jornalismo pode desempenhar múltiplas funções (Amaral, 2019), mas o foco tende a recair sobre a tragédia em si, o aspeto factual, as vítimas e os números de perdas económicas, por exemplo. Estima-se que em 2050, 250 milhões de pessoas sejam severamente afetadas pelas alterações climáticas. Ainda que não haja uma definição formal de refugiados climáticos no direito internacional, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tem destacado que a crise climática é uma crise humana e chama a atenção para os impactos que tem no deslocamento forçado em todo o mundo. Os resultados indicam que é justamente a partir de relatórios internacionais e casos de desastre climático que as migrações climáticas são noticiadas, desde deslocações internas até externas ao país, bem como o agravamento da situação humanitária de populações já expostas a conflitos. Mas a voz dos migrantes e a discussão sobre as causas têm pouco espaço nos média.





